Um imprevisto, um impedimento, mais que uma razão para não postar nada de jeito neste blog...é que eu de facto não tenho jeito para isto. A escrita assim, não tem a mesma expressividade e intensão, que aquela justaposta ao papel. Lá os sentimentos ficam marcados até ao verso da folha, propagando-se pelas seguintes ou pelas anteriores, se as houver. Aqui por mais força que faça contra o teclado, o máximo que pode acontecer é estragar a tecla agredida, porque a escrita, essa fica igual; se me enganar apanho e não fica marca, pareço perfeita...longe disso. Gosto de deixar as páginas borradas pela infiltração das minhas lágrimas ou do suor das minhas mãos, quando escrevo durante horas...
O mundo virtual é demasiado amplo para mim. Neste momento, preciso daquilo que é concreto, para ter a certeza que não foi com isto que sonhei, que agora estou a ver a realidade, a descreve-la como tal; preciso de algo material, quase como se o toque e o cheiro me dessem as respostas e a segurança de que careço!
Reconheço-me como uma ginásta de trapezio, sem qualquer tipo de habilidade neste campo. Tenho um caminho a seguir, que depende da minha coragem, persistencia e vontade própria. Tenho uma rede que me pode amparar se o caminho não for agarrado com a força e o equilibrio necessários. Depois existe um chão, que só espera que eu caia, para também ele me suportar e dizer "eu avisei, enquanto a gravidade for dona do mundo, tu nunca me vais fugir...". Por ultimo existe um público, que só se rir, porque acha que é preciso ser-se doido para tal ousadia e coragem. Não é coragem, é vontade de se mostrar, é mania... e é uma palhacinha sem jeito, mal feita de corpo, porque o musculo cresce e destroi-lhe as formas femininas. É uma petiz inconsciente e louca, a quem não se pode dar ouvidos e se apontam todos os defeitos da técnica, que nós, letrado e douto público reconhecemos à distância, mesmo sem estarmos dentro do assunto.
E novamente eu, trapezista, a meio do percurso escorrego e fico pendorada pela minha pior mão. Áquela junto a outra e penso, "será mais facil se cair agora"...
Não quero cair, porque daqui vejo o publico com outra nitidez e tenho a ilusão da liberdade, da força e do meu querer, tenho as luzes que me aclaram o caminho e seu calor que me aquece. Se cair, ficarei presa na rede, provavelmente sentirei a amargura e o murmurio malicioso do chão e o publico ficará momentaneamnete preocupado pois o espetáculo vai a meio e já a artista está de saída, ... não gostam de ser enganados.
Tenho pena de não ser artista!
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