sábado, 17 de março de 2012

Outra causa

    Chamaram-me de mentirosa, acharam-me falsa, vil, preversa! Não fui, e disse-lhes que não, que era impossível, que não era eu, que não fui eu, que nunca o fiz nem o faria... Mas não acreditaram em mim, apenas a Loira, era dona da verdade. Quanto a mim, tinha a fama de ter a mentira como companhia... porém já havia muito tempo que andava de mãos dadas com a solidão, essa que nos abraça sem pedir licença e que nos deixa com uma tal fragilidade que acabamos por não discernir a pureza de espírito, do aproveitamente puro e duro. Assim estava eu!
     Fui humilhada como nunca outrora o fôra, como jamais o mereci, mas fui... e só lhes vi o brilho dos olhos, que refletiam as minhas lágrimas tristes, nos dos delas que rejubilavam de satisfação, de autoritarismo, de ruindade e frieza. Fiquei completamente só, por causa de uma mentira que não foi minha, foi daquela Víbora e da Loira,... tanto que eu sofri com e por elas: noites sem dormir, dias no hospital, comida, carinho, força, material de estudo, corridas em plena madrugada até à farmácia de serviço, que a Loira se controcia com dores, porque a Víbora lhe tinha mordido, a ela e à Mestra que me descompôs em público,... a Loira provavelmente deve-me a vida e não sabe, pois estava demasiado bêbeda para se lembrar, e mt mais para cair de costas escada a baixo, mas não chegou a cair porque a agarrei! A Víbora deve-me mais de 50€, só em roubos à minha humilde e pobre carteira, porque ela é rica e cleptomaniaca e eu gramo com as culpas dela, e é má, culpo-a, a ela!
    Depois a Mestra, que não sabe o que é, ora se mostra muito segura de si, ora tem todas as dúvidas do mundo e chora no meu ombro e eu choro também, pois consegui sentir o seu sofrimento. E faço tudo por ela, dou-lhe tudo....e caio de repente. 
   O meu mundo mudou, confirmei que tinha um Transtorno Obsessivo-Compulsivo, elas sabiam-no e aproveitaram-se de mim. Afundei-me mais e mais... chorei, gritei, lutei contra o que me tinha tornado, estive 1 mês longe daquele sítio, de tudo, de todos, e fechei mais, ainda mais!
   Quis fugir de mim, porque certamente eu tinha nascido com algo de errado (a minha mãe não acreditava que eu era sua filha quando nasci! Tão inocente e já tão mentirosa!), ou era dom ou carma. Seguramente neste momento encaixava bem no carma. Começa agora a mudança...

domingo, 11 de março de 2012



Adoro a ingenuidade e a ternura do teu olhar... 

Uma causa

    Não me consigo habituar à escrita no mundo virtual, pois já lá vão muitos anos de bons vícios sobre o papel. A causa principal deste blog, surgiu de uma causa secundária, que ao contrario do que se podia prever, esta mostrou-se mais importante que a outra. Explicando melhor o assunto, a minha causa principal partiu de um desabafo entre amigas, num daqueles dias em que, apesar dos esforços, não havia nada de proveitoso a fazer, para além de falar sobre "as nossas coisas". Surgiu então a ideia de "devias fazer um blog!" e assim atrevi-me neste novo mundo.
    Há quem diga que um blog é um passa-tempo, uma necessidade, um dever, uma forma de encarar a vida, ou uma forma de a partilhar... eu ainda não sei.
    A causa secundária faz parte de um conjunto de situações que têm tudo de impossível, mas infelizmente para mim, são uma realidade que me consumiu! Para ser mais explicita, imagine-se um grupo de amigas, do mais unidas que há, convivendo 24 sobre 24h, sabendo de tudo, partilhando ao máximo, mas enfim... isto parece um episódio de uma novela, em que existe uma vilã, que injustamente recebe tal título, porque a verdadeira víbora se retorce por entre a vestação, lesando tudo e todos, porém a sua camuflagem fá-la passar desapercebida.
    Aparentemente, eu sou a vilã, aquela má pessoa que é oportunista, falsa, mentirosa, parva, insegura, fraca, obsecada, preocupada, stressada, cautelosa, calada, introvertida, gorda, feia, desinteressante, sem remédio possível, alvo do maior cuidado por parte dessas suas amigas e que é constantemente ignorada, explorada, gozada, humilhada, roubada, acusada, enchovalhada, reprimida, denegrida, contida... 
    Depois existe a víbora, que é elegante, culta, inteligente, letrada, charmosa, bonita, magra, escultural, perfeita, integra, sincera, sábia, extrovertida, comunicativa, gracejadora, bem-falante, interessante, ponderada, meticulosa, firme, engenhosa, mestiça, forte, experiente, e mais uma infindável panóplia de adjectivos requintados e muito ponposos, os únicos que têm a nobreza necessária!
   
   Tendo por base apenas estas características, são será difícil concluir que sou do piorio! Não acham?